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Orgulho Crespo #EuFui

21 novembro 2016

Em agosto, a Bio Extratus apoiou a realização da 2ª Marcha do Orgulho Crespo São Paulo e possibilitou a vinda de algumas integrantes da Comissão Nacional para participarem do evento.

Abaixo, elas contam um pouco sobre como foi (e é!) fazer parte desse momento histórico e de significativas transformações sobre a questão racial para além do cabelo.

Otunola Debora Santos, graduanda em Psicologia e Técnica de enfermagem, 31 anos Porto Alegre, RS Foto: Vanderlei Yui

Foto: Vanderlei Yui


Foi a partir das questões de aceitação estética (e neste caso me refiro dos cabelos, aos meus traços faciais e corporais), que me descobri enquanto mulher negra, fui me (re)conhecendo, me fortalecendo, me conectando com a ancestralidade, afirmando a minha identidade, me empoderando e me libertando das amarras dos padrões sociais que vivemos. Eu penso que tornar-se negro é um ato politico, de coragem, de aceitação e representatividade. Participar de um movimento que luta pelo reconhecimento e pela valorização da identidade, da autoestima, da ancestralidade, da representatividade e do combate ao racismo por meio do empoderamento da mulher negra é uma forma de dizer ao mundo que me respeite e me aceite como eu sou. Gratidão à Comissão Nacional por me proporcionar esta vivência de pertencimento e reconhecimentos por meio dos meus; da possibilidade de troca com irmãs e irmãos de outras partes do Brasil e por me fazer crescer e enxergar o mundo de uma forma mais bela e natural.

Otunola Debora Santos, graduanda em Psicologia e Técnica de enfermagem, 31 anos
Porto Alegre, RS

Renata Terra, 29 anos, professora Rio de Janeiro RJ Foto: Larissa Isis

Foto: Larissa Isis

“Ter participado da Marcha foi muito importante pra mim em todos os sentidos. Ela aconteceu em um dos momentos mais importantes na minha vida e depois dessa troca de vivências e experiências tive uma nova percepção do seu sentido e significado. Nós só entendemos da luta quando realmente estamos na guerra. Não desmerecendo a quem não vai às marchas e manifestações, mas se faz muito importante se envolver e engajar-se na luta. Hoje eu compreendo que a Marcha do Orgulho Crespo nunca se limitou apenas a estética; vai muito além. Me orgulho muito de fazer parte dessa história que teve apenas seu segundo capítulo, mas que certamente terá muitos outros. Eu jamais esquecerei de todo aprendizado em poucas horas que valeram tanto.

Renata Terra, 29 anos, professora
Rio de Janeiro RJ

Ivana Santos, 31 anos, jornalista. Bauru, SP Foto: Larissa Isis

Foto: Larissa Isis

Participar da Marcha do Orgulho Crespo foi a libertação de muitos sentimentos que estavam guardados, muitos, nem eu reconhecia. O que estava engasgado simplesmente saiu a cada grito!

Ivana Santos, jornalista, 31 anos
Bauru, SP

Luciellen Assis, 22 anos, blogueira Feira de Santana, BA Foto: Larissa Isis

Foto: Larissa Isis

Antes de ir pra a marcha em SP eu tinha visto as notícias da 1ª edição, que tinha acontecido e fiquei emocionada. Quando o movimento começou a ir para outras cidades e Estados, me empolguei muito e participei de uma marcha parecida em Salvador. Esse ano, quando soube que poderia participar de 2ª Marcha do Orgulho Crespo, em São Paulo, fiquei eufórica! Depois de estar lá, percebi que minha euforia fazia sentido porque foi incrível. A diversidade dos cabelos crespos e estilos me deixou fascinada, não sabia pra que lado olhar. E o mais interessante é que não era simplesmente a beleza que me encantava, mas a alegria, liberdade, força e resistência de cada pessoa. Estar com cada pessoa naquela marcha me empoderou ainda mais. Saí de lá mais forte.

Luciellen Assis, 22 anos, blogueira
Feira de Santana, BA

Dandara Marques, 22 anos, estudante de Direito Montes Claros, MG Foto: Coisas do Olhar

Foto: Coisas do Olhar

Quando soube da marcha do Orgulho Crespo, em São Paulo, foi um ponto de referência para que eu pudesse fazer o mesmo em minha cidade e incentivar mais mulheres daqui. Acompanhei tudo e falei que no próximo ano iria, queria conhecer as organizadoras que me serviram de inspiração, que me representam e que são referência pra mim. Quando recebi o convite para ir, fiquei muito feliz e ansiosa por ter contato com as meninas que organizaram e que passei a admirar ainda mais. Conhecer as outras representantes de outros estados, trocar experiências, fazer novas amizades, representar minha cidade, isso tudo acrescentou muito em minha vivência. É um momento que vai ficar guardado para o resto da vida. Foi muito lindo, muito amor em um final de semana. Isso me deu mais forças pra continuar lutando pela causa. Resistir sempre!

Dandara Marques, 22 anos, estudante de Direito
Montes Claros, MG

Irish Nunes e Suellen Rodrigues (à direita). Foto: Viviane Quines

No Rio Grande do Sul, principalmente no interior, o racismo é constante. Nossos irmãos diariamente lutam por seu espaço e você ouvir de uma mãe que vai levar seu filho na Marcha para o mesmo saber que não está sozinho, emociona muito. Ontem me via uma crespa sozinha e hoje não mais. Por meio desse movimento lindo e de minha busca, hoje me reconheço como negra sim. Aqui no sul somos em grande quantidade e farei o possível e impossível para que sejamos vistos. A troca de experiências e cultura no encontro de São Paulo só confirma que somos um povo lindo e que as histórias doloridas e a grande caminhada se repete, porém agora unidas com o mesmo objetivo. A cada passo dado, sem discriminar a luta de cada um e abrindo oportunidades para todos. Nosso movimento é lindo.

Suellen Rodrigues, Personal Hair Stylist 
Porto Alegre, RS

Também integram a Comissão Nacional Orgulho Crespo:
Letícia Vieira – Brasília
Trícia Oliveira – Brasília
Marcela Lisboa – Rio de Janeiro
Irish Nunes – Porto Alegre
Michele Mara – Curitiba
Melissa Tayó – Curitiba
Sâmia Andrade – Minas Gerais
Priscila Gama – Vitória
Karla Rocha – São Luís do Maranhão
Nanda Cury – São Paulo
Neomisia Silvestre – São Paulo

Saiba mais aqui 

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